Histórico do método GTD

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Você quer saber como o método GTD surgiu? Neste post, vou contar um breve histórico do método, com base em artigos e depoimentos da equipe da David Allen Company (empresa que gerencia o método GTD globalmente).

Já contei um pouco da história do David Allen, autor do método GTD, em um post anterior, e muito da história dele vai se misturar com a história do método GTD, como você pode imaginar.

David Allen hoje tem 72 anos e, aos 35, ele começou a atuar nessa área de produtividade pessoal. Em 1981 (36 anos atrás), David começou a trabalhar com sua própria empresa de consultoria. Então podemos dizer que esse é o ano de nascimento do método GTD.

O verdadeiro pontapé inicial veio através de um mentor que ele teve, chamado Dean Acheson, que desenvolveu técnicas poderosas ao longo dos anos nessa área relacionada a produtividade. Por exemplo: ele descobriu que um dos principais problemas das pessoas nas organizações era o imenso “backlog” que elas mantinham – ou seja, a quantidade de “laços abertos” que deixavam sem terminar, e que acabavam ocupando espaço em suas mentes e atrapalhavam tanto no trabalho quanto na vida pessoal.

Outro ponto era o seguinte: executivos costumavam evitar decisões justamente porque deixavam as coisas “dormindo na mente” para que então finalmente concluíssem algo. Foi quando Dean começou a usar a metodologia de esvaziar a mente (“mind sweep”) e de definir uma próxima ação. Dean compartilhou essas ideias com o David e o encorajou a seguir adiante com elas. Esse foi o embrião do método GTD.

David então incorporou essas técnicas ao trabalho que já estava desenvolvendo – treinamentos intensos de auto-desenvolvimento que incluiam princípios-chave sobre como gerenciar acordos, especialmente aqueles feitos (e muitas vezes quebrados) consigo mesmo. Todas essas ideias se tornaram a base e influenciaram enormemente a essência do método GTD: identificar todos os acordos que você fez consigo mesmo e com outras pessoas e então cumprí-los, não cumprí-los ou renegociá-los. Já trabalhando com uma equipe, ele passou a usar essas ideias para educar centenas de pessoas ao redor do mundo.

Em 2001, o livro “Getting Things Done” foi publicado pela primeira vez. O interessante é que o método não se chamava “GTD” (sigla para o nome do livro). Foi uma ideia do editor do livro, para o marketing, e não é que deu muito certo? O nome pegou e hoje todos conhecem o método pela sua sigla.

O primeiro site do método GTD também entrou no ar em 2001.

Fonte: Archive.org

Então vejam que o GTD surgiu nessa ordem:

  1. Trabalho de coaching (ou consultoria, já que o termo “coaching” nem era conhecido na época)
  2. Treinamentos para equipes ou dentro de empresas
  3. Livro

Isso é interessante porque dá para entender a dificuldade do autor ao tentar condensar todo o conteúdo de 30 anos em um único volume. Ele disse que a motivação dele ao escrever o livro foi imaginar o seguinte: como uma pessoa que leia apenas o livro, ou seja, não tenha acesso ao trabalho de consultoria ou não tenha um professor em sala de aula ensinando tudo, pode aprender a implementar o que ele propõe?

Em 2015, quando ele relançou o livro, completamente reescrito, ele disse que, na primeira edição, existiam alguns fatores limitantes à sua escrita, que foram os seguintes:

  • Ter que condensar um mundo de conteúdo em um só volume. Isso pode trazer (e geralmente as pessoas que o leram pela primeira vez afirmam isso) uma sensação de que o livro tem muita coisa, mas não dá pra saber por onde começar! E a leitura não era tão fluida.
  • A escrita mais voltada ao universo corporativo, que era o campo de atuação do David na época.
  • Apesar de todos usarmos tecnologia, ela não era igual ao nosso uso hoje. Mudou absolutamente tudo de 2001 para cá.

Por isso, ao reescrever o livro, em 2015, essas foram as suas preocupações:

  • Tornar a leitura mais fluida.
  • Validar o que ele ensina com artigos científicos na área das ciências cognitivas.
  • A tecnologia como parte essencial do nosso dia a dia.
  • Todos estamos inseridos em um mundo 24/7 de repente e ainda aprendendo como lidar com isso.
  • O método GTD se tornou global, então ele validou o método em todas as culturas.
  • O método GTD pode ser aplicado por qualquer pessoa, e não apenas executivos. Músicos, artistas, donas de casa e estudantes usam o método GTD.
  • Todo mundo está muito estressado e percebendo que quer virar esse jogo.

É interessante porque o movimento de reescrever o livro veio junto com outras frentes de trabalho com o GTD, que foram as seguintes:

  • O envolvimento do David Allen com o assunto “holocracia” – um modelo de gestão baseado nas células do corpo humano e que, segundo o David, é o “GTD para empresas”. Ele inclusive participa como convidado especial dos seminários e formações de holocracia que acontecem em Amsterdam.
  • O desenvolvimento do modelo mundial de franquias, que possibilitou a expansão dos cursos da David Allen Company Academy sem necessariamente levar os instrutores ao redor do mundo. Cada país tem uma franquia, em caráter de esclusividade, e aí a DAC (David Allen Company) coordena essas franquias.
  • A mudança do David para a Holanda, de modo que ele consiga viajar mais para diversas partes do mundo economizando tempo e dinheiro, por estar no centro da Europa (ele então tem viajado mais a negócios, não para ministrar cursos, mas para ações de vendas e marketing em parceria com as franquias).

Dá para ver um amadurecimento muito bacana das suas ideias e estilo de trabalho.

Outros pontos de destaque na história do método GTD é o lançamento da plataforma GTD Connect, em 2009 (ano a confirmar). Trata-se de uma rede social oficial da DAC, que você pode se tornar assinante, e traz conteúdo exclusivo, fóruns, webinars etc. para usuários de GTD.

Ao longo dos anos, David lançou mais dois livros de aprofundamento do método GTD: “Ready for Anything: 52 Productivity Principles for Work and Life (2004)” e “Making It All Work: Winning at the Game of Work and Business of Life (2009)”. (Nota da autora: O primeiro livro atualmente é distribuído pela Editora Sextante no Brasil. Os outros dois tiveram versões em português que estão esgotadas nas editoras. Algumas pessoas conseguem encontrar em sebos (lojas de livros usados) espalhados pelo Brasil. Estamos em contato com a editora regularmente tentando trazer a tradução oficial dos outros dois livros para o nosso idioma.)

Hoje o GTD é considerado, por alguns veículos renomados, o melhor método de produtividade do mundo. Se não for o melhor método, é certamente o mais sólido e consistente, pautado em conceitos eternos e não em tecnologias que mudam a cada segundo. Quando estivermos habitando Marte, ainda assim teremos problemas e projetos e poderemos usar o método GTD para gerenciar a vida de maneira integrada.

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